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Porque essa palavra tem sido tão utilizada ultimamente?

Muito se tem falado na palavra resiliência, mas o que é mesmo este termo? Resiliência é um conceito originário da física que significa a propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após serem submetidos a uma deformação. É um termo muito utilizado para ampliar nosso modo de compreensão acerca do sofrimento.

Lançamos nosso olhar no mundo e começamos a nos perceber, a questionar o próprio mundo em que nascemos e nos sentimos vivos, mesmo com a inquietude dos próprios pensamentos.  Assim é o humano. Assim nos construímos humanos. Feitos do tecido da empatia do primeiro relacionamento mãe-bebê nos lançamos no mundo. Muitas vezes a vida se faz tão desafiadora, inquietante, e com tantos sofrimentos que começamos a nos perguntar se existe algum sentido nisso tudo. Se existe algum sentido em viver. O momento atual é um desses desconcertos que ocorrem e que nos impele para uma atitude: ou resistimos ou mudamos. Ambas são arriscadas, se resistimos e nos fecharmos para o novo teremos conflitos; se mudarmos e nos abrirmos ao novo teremos também. Resta-nos saber qual direção fará algum sentido e nos prepararmos para ela.

A resiliência nos ajuda a entender um processo difícil de explicar. Trata-se de um aspecto do eu construído entre o eu e o mundo; é um processo dinâmico que depende de um apoio recebido por quem sofre, pode ser uma palavra motivadora ou simplesmente uma escuta, ou ainda um suporte, para ser estimulado e construído.

Ao caminhar e cair, algo impele a pessoa a levantar, a se motivar a continuar caminhando, caindo e se levantando. Mas como manter-se motivado? Essa é uma difícil questão para muitos e para compreender como isso ocorre buscam-se modelos de análise, exemplos de vivências similares e respostas significativas. Daí um problema surge: a pressa em obter a solução e o modelo que funcione corretamente faz com que muitas pessoas simplesmente tentem encaixar modelos alheios em sua própria vida, na ânsia de resolver um problema cria outro,  pois o modelo do outro não tem o mesmo significado. Cada um é um. O sentido da vida é único, pois vem de uma história de vida singular, vem da consequência das próprias escolhas e atos.

Encontrar um sentido para a vida é uma tarefa que terá mais ou menos importância em determinado momento da vida. Mas se este desafio já for presumido talvez nos preparemos para ele e, a partir das reflexões que fizermos cheguemos mais próximos ao resultado esperado. Quando pensamos em apenas fugir do vazio existencial e da confusão interna e externa através de escolhas aqui e ali. Essa é uma tarefa que devemos fazer buscando a nossa essência pessoal. Embora seja um caminho pessoal, não quer dizer que não teremos ajuda, pelo contrário, as ajudas são tão estimuladoras que creio ser a nossa mola propulsora, aquele motor que leva a espaçonave a sair de órbita. Mas a trajetória da nave só ela sabe.

Um psiquiatra judeu inovador chamado Viktor Frankl, que trabalhou com pacientes suicidas em hospital psiquiátrico de Viena, descreveu em sua obra “Em busca de Sentido” como é possível sobreviver em tempos difíceis. Ele viveu durante três anos em campos de concentração nazista, perdeu seus entes queridos e encontrou forças para continuar existindo buscando um motivo, algo além do que estava vivendo naquele momento.

Na resiliência, o apoio e a confiança obtidos por alguém é importante, mas não necessariamente este apoio está sempre ao lado, ele é substituído em determinado momento pela crença que lhe motiva. Estar firme em um propósito e se este for o propósito de sua essência de vida terá a força suficiente para fazer acontecer mesmo com grandes obstáculos. A persistência, vinda da resiliência, trará resultados não importa o tempo que leve. Nos valores pessoais e no ideal de saúde mental se busca por recursos internos e externos, assim é possível viver grandes adversidades.

Maristela Couto

 

 

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