Usar o celular em demasia: dependência ou modismo?

“Tudo o que é demais faz mal”. Nessa sábia frase está contido toda a reflexão de que vamos nos utilizar para compreender como e porque o uso que fazemos de determinados objetos interfere negativamente em nosso bem estar.

As pessoas possuem normalmente dificuldade em perceber que estão sendo portadoras do transtorno mais recente, a nomofobia, que significa um medo de ficar sem a comunicação originada pelo uso do celular (whats app, facebook, twiter, instagran, etc). Embora ainda não catalogado nos manuais clínicos como o CID 10 e DSM V , já tem aumentado a procura em consultórios para o tratamento do transtorno.

Embora tenha como foco central o uso da internet, esta dependência é semelhante às demais como drogas, comida, jogos, sexo, etc. O ciclo de dependência se inicia com o “uso patológico” ou abuso, onde tudo gira em torno do objeto de desejo, tornando-se a principal atividade, ocasionado descuido consigo mesmo e das demais atividades cotidianas. Após o período inicial de grande satisfação, ocorre a fase de tolerância, que é momento onde é necessária uma quantidade sempre maior da “droga” para alcançar os efeitos iniciais de satisfação, neste momento, são os familiares ou pessoas próximas que apontam os prejuízos no trabalho com dificuldade para concentrar-se, gastos excessivos e o isolamento social e familiar como consequência.  A próxima fase ocorre quando, após um conflito, já sem a “droga”, aparecem os sintomas de abstinência, que são os estados ou sensações desagradáveis, físicos ou psicológicos, que ocorrem nos períodos de ausência do uso, que são as alterações do humor, irritabilidade, impaciência, inquietude, tristeza, ansiedade e em casos extremos a agressividade, podendo chegar à violência para manter o ciclo de satisfação. E por fim, fechando o ciclo da dependência ocorre a recaída, quando após um período de luta para cessar o uso, volta-se ao mesmo padrão anterior do uso excessivo.

Dentre todas as dependências já estudadas a do celular é um desafio para os profissionais envolvidos no tratamento como os psicólogos e psiquiatras, pois dificilmente conseguimos evitá-la por completo devido a estar ligada a várias atividades do dia a dia de todos. Portanto, no caso de uma dependência, ficar “abstinente” seria mais complicado principalmente para quem trabalha utilizando estes recursos.

Portanto, se você checa seu celular em média a cada 5 mim de forma obsessiva, fica irritado sem o sinal da internet, tem a impressão que seu aparelho está sempre tocando, diminui suas relações familiares e sociais e entra em conflito com eles pelo fato de uso excessivo; se tenta diminuir o uso e não consegue, você pode ter caído na “armadilha” da dependência. Neste caso, peça ajuda!

A comunicação pela internet tem características diferentes da face a face, seu uso provoca um excesso de estimulação neuropsicológica devido à grande facilidade de acesso, atendendo uma grande necessidade humana de vinculação: em um momento de solidão ou crise, a internet ajuda a encontrar alguém rapidamente; permite ao sujeito ser acolhido no momento de sua necessidade. Se em termos quantitativos estamos satisfeitos e nos qualitativos?

É importante afirmar que o uso da internet não é nocivo em si, pelo contrário, é um avanço tecnológico que nos traz muitas facilidades na vida como um todo. A grande questão é de que forma e o quanto a usamos, aliás, como tudo em nossa vida, devemos valorizar a qualidade e não a quantidade do que temos. Para nos proteger e não cairmos neste ciclo prejudicial é muito importante restringir o tempo de uso do celular/internet e manter uma qualidade de vida saudável, respeitando horários de sono, alimentação saudável ,  encontrar outras formas de preencher o tempo como praticar esportes, caminhadas e relações presenciais saudáveis.

 

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