Educação para a saúde: aprendendo sobre as emoções

As emoções são tão pertencentes à natureza humana que muitas vezes fica difícil sua identificação. Além de propiciar confusões com vários outros processos psicológicos, inclusive o pensamento, ela, por estar tão próxima, nos confunde.

Vários são os conceitos existentes, o de Reeve (2006, citado por Caminha, 2011) esclarece que “As emoções são fenômenos expressivos e de propósitos, de curta duração, que envolvem estados de sentimentos e ativação, e nos auxiliam na adaptação às oportunidades e aos desafios que enfrentamos durante eventos importantes de vida. É um constructo psicológico que une e coordena esses quatro aspectos da experiência em um padrão sincronizado” (Reeve, 2006, p.191, citado por Caminha, 2011).

Para ele as emoções possuem duas funções básicas: coping (enfrentamento) e socialização. Assim, os comportamentos seriam desencadeados por emoções, favorecendo a adaptação e as transformações sociais e pessoais. Por exemplo: a emoção medo, diante de uma ameaça, gera o comportamento de fuga, sendo adaptativo para a proteção e a preservação da vida. E consequentemente, o modo como reagimos às emoções são codificados para as pessoas, dentre elas as expressões faciais e as reações orgânicas de choro, tremor, riso.

Trabalhos de Ekman (1968) e Ekman et al (1969) (citados por Caminha, 2011) aponta que existem um grupo de emoções básicas, desenvolvidas pelo homem, que são:

 Medo: função de preservação da vida em atos reflexos de luta fuga. Dentre as respostas fisiológicas geradas estão: sudorese, taquicardia, visão turva, desmaio, etc; ambas com objetivo de adaptação conforme o estímulo que desencadeou a emoção.

Raiva: surge a partir da privação de algo. Quando ela surge pode gerar dano devido a ela ter potencial agressivo. A agressividade tida como energia de transformação pode fazer desta emoção uma emoção positiva, minimizando os danos quando utilizada de forma assertiva.

Tristeza: surge em situações de fracasso ou separação. Como emoção negativa, promove o retraimento, com potencial de provocar déficts cognitivos e sociais. Porém, se bem dosada, promove reflexão, estímulo á mudanças e atos produtivos após a reparação.

Alegria: surge de acontecimentos desejáveis e agradáveis no nível pessoal e social. Serve de equilíbrio para as emoções desagradáveis. Possui função de promover interações e vínculos sociais.

 Amor: ligado ao apego, possui função importante de adaptação como desenvolver e manter os vínculos de cuidado. Por ser a emoção que favorece o vínculo permite uma grande possibilidade de expressão, além do cuidado com os filhos, os vínculos de amizade, de familiaridade, de expressão social, importantes formas de redução de estresse e promoção de sensação de bem-estar.

 Nojo: possui função de proteger contra contaminações que poderiam afetar a saúde, sejam elas: físicas, interpessoais ou morais. Influenciada por questões culturais, gera o comportamento de rejeição e consequente reação parassimpática de náusea.

Surpresa: reação correspondente à percepção de novos estímulos, sejam eles positivos ou negativos. Possui função de filtro decodificador das emoções de alegria, tristeza, raiva, amor e medo.

As demais emoções existentes são classificadas como secundárias ou terciárias, pois recebem mais influência dos aspectos cognitivos e sociais. Dentre elas estão a culpa, solidão, desconfiança, tranquilidade, orgulho, vergonha, saudade, esperança, etc.

De acordo com as emoções estão as manifestações fisiológicas, variando de intensidade e de respostas comportamentais. Como são descargas de tensão do organismo precisam ser liberadas para se atingir o equilíbrio e a homeostase do organismo.

Tanto a emoção quanto os sentimentos são expressão de nossos afetos, a diferença é que os sentimentos são menos intensos e mais duradouros e não são acompanhados de emoções intensas. Os mesmos nomes que usamos para designar as emoções são utilizados para os sentimentos à medida que elas vão se tornando mais estáveis e duradouras.

As emoções, portanto, são formas de linguagem através da qual expressamos nossas percepções internas. Infelizmente nossa cultura estimula o uso da repressão das emoções.

Identificar a forma como as expressamos é parte importante do processo terapêutico, pois elas podem causar problemas em nosso funcionamento individual e social, podendo até comprometer a saúde. A educação sobre as emoções nos ajuda a conviver melhor com nossas características inatas e melhorar nossa capacidade de adaptação e transformação.

Bibliografia:

Amaral, V. L. do. Psicologia da educação. A vida afetiva: emoções e sentimentos. Natal, RN EDUFRN, 2007

Caminha, R. M. Baralho das emoções: acessando a criança no trabalho clínico. 4 ed. Porto Alegre: Sinopsys, 2011

 

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