A eficácia da psicoterapia comprovada por pesquisas neurológicas

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Diariamente vemos pessoas insatisfeitas com o que são ou como estão. Querem ficar livre de problemas, melhorar sua situação financeira, cura-se de fobias, manias, conseguirem dormir bem, ter forças para sair da cama pela manhã, deixar para trás dificuldades sexuais ou simplesmente achar a vida mais interessante. Porém ainda hoje muitas pessoas ficam em dúvida sobre a eficácia da psicoterapia, se deveriam dedicar seu tempo e dinheiro em uma experiência como esta.

A palavra psicoterapia vem do grego therapeúein, que possui significados como assistir e cuidar. Desabafar no ombro do amigo e conversar com um médico atencioso pode até ser terapêutico – mas não se trata de um método que promove a saúde mental de maneira mais global, utilizando-se de  técnicas com fundamentação teórica e com resultados duradouros. As psicoterapias realizam o tratamento através da fala.

No consultório encontramos a resposta para esta dúvida, quando vemos a alegria dos pacientes quando eles próprios observam as suas conquistas, suas vitórias, principalmente sobre si mesmos, suas limitações, medos, angústias.

Porém além do consultório, inúmeras pesquisas neurológicas tem provado que sessões de psicoterapia modificam conexões neurais e padrões de comportamento. Pesquisas com neuro-imagem funcional, método que fotografa o fluxo sanguíneo no cérebro, estão provando que a terapia baseada na fala causa, sim, efeitos permanentes no nosso sistema de aprendizagem, na memória e no processamento de emoções.

Estudo realizado na Universidade de Amsterdã no ano passado analisou 20 pessoas com transtorno do estresse pós-traumático, distúrbio que geralmente atinge quem passa por traumas como sequestro, acidentes graves e abusos. Elas foram submetidas a uma sessão semanal de psicoterapia breve durante 4 meses. Enquanto isso, outras 15 pessoas com o mesmo diagnóstico ficaram num grupo sem tratamento. No final, o cérebro de quem fez terapia mudou, ocorreram  mais atividades em regiões do córtex pré-frontal, área relacionada a cálculos, pensamentos práticos e ações que tomamos conscientemente. Na prática, o tratamento deu alívio a sintomas que têm tudo a ver com traumas, como hipervigilância (estado de alerta permanente) e recordações aflitivas, que se manifestam em pesadelos e pensamentos recorrentes.

Sabemos que não é só privilégio da psicoterapia provocar mudanças nas redes neurais.  Com maior ou menor intensidade, as experiências da nossa vida provocam mudanças em nossa atividade cerebral – como quando ouvimos algo que gostamos ou recebemos a notícia triste da morte de alguém e até quando praticamos atividades físicas e de lazer.

É como se o pensamento alterado pela terapia fosse a tabuada que a gente não esquece mais. Os sistemas de memória e aprendizagem constituem a base de todas as psicoterapias. Como o cérebro é uma estrutura plástica, que se modifica de acordo com nossas experiências, o tratamento consegue atuar em determinados circuitos. As pesquisas de neuroimagem indicam que quem completa o tratamento sai, em geral, 80% melhor do que os pacientes fora do consultório. É um resultado tão positivo que já está provocando mudanças na saúde pública de alguns países.  Sabemos que o valor inicial do tratamento com antidepressivos é inferior ao da psicoterapia, porém a  médio e no longo prazo, a melhor relação é a do tratamento psicoterápico, que tende a apresentar menor reincidência de transtornos mentais e efeitos mais duradouros.

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