Psicoterapia Breve Psicanalítica – contribuições para o atendimento em psicologia clínica em Unidade Básica de Saúde

Segundo a Organização Mundial de Saúde, as psicoterapias têm sido reconhecidas como um dos pilares para a resolução de problemas de saúde mental, “a saúde mental – negligenciada durante demasiado tempo – é essencial para o bem-estar geral das pessoas, das sociedades e dos países, e deve ser universalmente encarada sob nova luz” (2002). No amplo campo da saúde pública, desde o atendimento em psicologia clínica na Unidade Básica de Saúde, nos CAPS e Hospitais, temos as práticas de psicologia clínica e psiquiatria, voltadas à diminuição do sofrimento mental dos usuários. Pensar nestas práticas é amadurecê-las no sentido de propiciar um atendimento com vistas a resultados mais qualitativos e quantitativos para a saúde.

Das práticas psicoterapêuticas mais antigas utilizadas em atendimentos clínicos na área da saúde mental temos a abordagem psicanalítica, criada por Freud. Mais recentemente, foi acrescentada a técnica breve de atendimento, que preserva as influências da psicanálise freudiana mas acrescenta características específicas como a disposição face a face, a limitação de tempo e a focalização dirigida ao problema, feita pelo paciente.

Mais que uma psicoterapia de apoio, a Psicoterapia Psicanalítica Breve se propõe a lidar com aspectos estruturantes da personalidade do paciente, que são evocadores da maioria dos problemas que o aflige e que na prática breve são trabalhados através da análise da transferência, que propicia um conhecimento profundo das angústias do paciente pelo terapeuta.

Atualmente, a ps
icoterapia breve vem como resposta atual às necessidades de um novo modelo social e pessoal, por um lado a busca por soluções rápidas por razões econômicas e por outro um aumento na chamada ‘patologia do vazio’ fruto de carências nos primórdios do desenvolvimento. Hoje temos um grande número de pacientes que nos trazem queixas de baixa auto-estima, quadros depressivos, angústia, transtornos alimentares, psicoses, somatizações, dentre outros.

Porém, não são todos os que, segundo GILLIÉRON (1998), poderão se beneficiar da psicoterapia breve. Serão os que conseguem estabelecer um vínculo terapêutico adequado com o profissional e também como requisito mínimo para um bom atendimento em PB será a experiência do clínico em psicoterapia, profundos conhecimentos de psicodinâmica e a análise pessoal do psicoterapeuta.

Os resultados favoráveis à abordagem em Psicoterapia Breve Psicanalítica em uma Unidade Básica de Saúde, puderam ser observados através do atendimento na abordagem à demanda espontânea que procurou o ambulatório de atendimento clínico em psicologia durante o período de junho de 2013 a novembro de 2014, todos apresentando variações no número de sessões ( duas, quatro e no máximo 20 sessões).

Dentre os resultados observados verificou-se que a análise da transferência, favorecida pela psicoterapia breve psicanalítica, favoreceu o olhar do clínico para a demanda do paciente (de que forma ele chega, quem encaminhou, sua expectativa, seu nível de angústia, informações visuais dos sintomas ) e para a queixa que ele traz desde a primeira sessão. A escuta clínica se volta para a queixa que o paciente traz e para qual foco o paciente resolve direcionar o atendimento, durante todo o tempo o terapeuta observa que tipo de relação o paciente resolve estabelecer com o terapeuta: se de aproximação ou de evitação, de resistência.

Muitos dos pacientes chegam para consulta psicológica após já terem sido medicados para a queixa de ansiedade excessiva e muitos já vivenciando episódio depressivo e confusos sobre aspectos emocionais de suas vidas. Verificou-se que, através da análise da transferência e contratransferência ocorre uma maior percepção do relato dos pacientes pois além de compreender o que foi dito lança-se mão da compreensão do inconsciente, do não dito; reduzindo, desta forma o número de atendimentos necessários para a compreensão da problemática e possibilitando um retorno breve ao paciente da situação em que se encontra, diminuindo a confusão mental e possibilitando que o mesmo encontre alternativas para sua problemática mais facilmente.

A psicologia clínica na UBS se insere num contexto onde a compreensão de seu papel enquanto mecanismo de transformação ainda é pouco utilizado. Propiciar um contato onde o paciente sente ter compreendido sua problemática além de propiciar uma maior compreensão do papel da psicologia no contexto terapêutico, também propicia uma maior aderência ao tratamento.

Através da observações verificou-se uma resposta positiva por parte dos pacientes quanto à maior aderência ao tratamento e diminuição da confusão emocional inicial. A partir destas observações, espera-se que novos dados sejam obtidos em pesquisas mais sistematizadas, onde um detalhamento maior do processo pode ser apresentado.

Parafraseando o tema do relatório mundial de saúde: “Saúde Mental: nova concepção, nova esperança” (2002) estamos nos direcionando ao objetivo de atingir uma maior compreensão de nosso objeto de trabalho e nos adequando à mudanças impostas pela sociedade atual que busca respostas concretas e positivas ao desafio de compreender a complexidade da psique humana.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Gilliéron, E. Manual de Psicoterapias breves. Lisboa, Climepsi Editores, 1998

Relatório Mundial da Saúde. Saúde Mental: nova concepção, nova esperança
. 1. Edição, Lisboa, abril de 2002

2 Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *